Psicanálise presencial: como funciona o atendimento no consultório
- André Pacheco
- 2 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: há 9 horas
O consultório é o espaço concebido ao longo da história da psicanálise para que o tratamento pela fala aconteça de modo favorável. Mais do que apenas um espaço confortável, o consultório seria o lugar pensado para que o paciente consiga se colocar com o maior grau possível de liberdade; ali haveria o sigilo, a regularidade, o silêncio e a escuta orientada para aquilo que, em outros contextos, passa despercebido.
O consultório enquanto parte do setting analítico

A psicanálise trabalha com a hipótese do inconsciente. Isso quer dizer que nossos afetos, comportamentos e relações são influenciados por elementos que escapam à nossa consciência. Quando criou a psicanálise, Freud percebeu que esses elementos inconscientes muitas vezes se expressavam por meio da fala. Decorre daí a proposição do tratamento psicanalítico enquanto talking cure, ou uma terapia pela fala.
O tratamento pela fala tal como estabelecido por Freud parte, ainda, de um pressuposto segundo o qual tudo aquilo que é falado tem efeitos sobre nós. É através da fala, portanto, que podemos trabalhar sobre o inconsciente. Mas é preciso um tipo específico de fala; uma fala não submetida pelas exigências da vida cotidiana e que possa vir à tona por meio de um arranjo específico, ou, em outras palavras, um setting.
Podemos dizer que a regra da associação livre - dizer tudo o que nos vem à cabeça, sem censuras - é parte disso. Outra parte do setting é o espaço da sessão. E aqui, entra em cena o consultório do analista. Mais discreto ou mais exuberante, o consultório constitui um elemento central de uma moldura que não é acessória ao tratamento, mas sim parte dele. É dentro dessa moldura que certas coisas se tornam dizíveis.
O divã
O divã é talvez o item de mobília mais comumente associado à psicanálise. Seu uso, entretanto, não é obrigatório, sendo possível realizar o tratamento em poltronas. Nos casos em que é utilizado, o divã exerce uma função: ao se deitar e deixar de ver o analista, o paciente se desobriga do olhar do outro. Deitado no divã, o analisante tende a monitorar menos as reações de quem escuta, assim como não precisa tanto ajustar sua fala ao que imagina que o analista espera. Na melhor das hipóteses, o divã favorece uma fala menos dirigida e, por isso, mais reveladora. Há casos, entretanto, em que o divã pode produzir um efeito inibidor. Analista e paciente poderão, então, optar pelas sessões em poltrona. Além disso, via de regra, usa-se as poltronas para sessões introdutórias, quando as partes envolvidas ainda estão se conhecendo.
O que o presencial acrescenta

É certo que a psicanálise pode ser realizada tanto presencialmente quanto online. O atendimento pela via virtual funciona bem e, além disso, traz comodidade e flexibilidade. Não obstante, é possível destacar algumas características próprias dos encontros presenciais. A começar pela presença dos corpos no mesmo espaço, que tende a dar outra qualidade para a voz e o silêncio que ali operam sem tanta mediação.
Outro fator que vale menção é que, frequentemente, o próprio tempo de ida e volta até o espaço físico do consultório também comece a se configurar como um tempo de análise em que importantes reflexões e pensamentos surgem. A consulta, nesse sentido, não começa e termina na porta do consultório; ela reverbera para além daquele local específico.
Onde fica o consultório
Atualmente meu consultório está localizado na Rua Aimberê, 1731, no bairro das Perdizes, em São Paulo, SP, próximo à estação Vila Madalena do metrô (Linha Verde). As fotos do local encontram-se disponíveis neste link. Caso tenha interesse em agendar um atendimento presencial, entre em contato.
André Gomes Pacheco — Psicanalista e Psicólogo | CRP 06/108809 Graduado em Psicologia pela USP. Mestre em Saúde Coletiva pela Unicamp.


