A adolescência é uma travessia, e ninguém precisa fazê-la sozinho. A escuta psicanalítica pode ser uma importante aliada ao longo deste percurso.

Meu nome é André, sou graduado em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tenho mais de 10 anos de experiência em atendimentos clínicos. Em consultório, trabalho com psicanálise a partir de uma perspectiva lacaniana.
ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES
Há um momento em que o filho que os pais conheciam parece dar lugar a uma outra pessoa: o corpo se transforma, os interesses mudam, e, por vezes, surge uma distância que pode assustar. Tais fatos nem sempre indicam que algo vai mal. Acima de tudo, a adolescência é uma travessia ou uma espécie de segundo nascimento em que alguém precisa se reinventar para além da criança que foi. Em alguns casos, as travessias emperram. Quando o sofrimento se instala e parece ocupar o cotidiano, pode ser importante procurar ajuda.
Ao darmos início a uma análise de adolescente, uma preocupação legítima costuma surgir: será que meu filho vai aceitar conversar? Em função disso o atendimento parte de um pressuposto simples: o espaço é do adolescente. Um lugar para falar sem ser avaliado, corrigido ou vigiado, condição para que algo, enfim, encontre passagem por meio de palavras. Isso não significa deixar a família de fora: quando necessário, pais (ou outros responsáveis) podem ser recebidos para discutirmos sobre o andamento do trabalho. O que se preserva é o conteúdo daquilo que o adolescente traz.
A adolescência, portanto, não é um problema em si, mas um momento a ser percorrido por cada um de nós. Diante de suas mudanças e experiências, o adolescente quase sempre tem muito a dizer, ainda não se saiba exatamente o quê. Em meus atendimentos, encaro o adolescente como um sujeito singular e tento estabelecer com ele uma interlocução viva que o apoie em sua jornada. Para darmos início, basta o adolescente querer.





